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24 de Outubro de 2021

Pessoa Como Valor-Fonte, Procede?

Indagações sobre a temática que serve como uma das bases da argumentação do jusnaturalismo.

Abmael Oliveira, Advogado
Publicado por Abmael Oliveira
há 7 meses

A ideia de sociedade longe de constituir um valor originário e supremo, acha-se condicionada pela sociabilidade do homem, isto é, por algo inerente a todo ser humano e que é “condição de possibilidade” da vida de relação.

O fato de o homem só vir a adquirir consciência de sua personalidade em dado momento da vida social, não elide a verdade de que o “social” já estava originalmente no ser mesmo do homem no caráter bilateral de toda atividade espiritual: a tomada de consciência do valor da personalidade é uma expressão histórica de atualização do ser do homem como ser social, uma projeção temporal, em sua de algo que não teria se convertido em experiência social se não fosse intrínseca ao homem a “condição transcendental de ser pessoa”.

A sociedade é essencial à “emergência dos valores”, como diz Cuvillier, mas essa emergência é condicionada pelo valor transcendental e intrínseco do homem como tal.

Data vênia, é equívoco dizer que as concepções valorativas assim como as sociais são intrínsecas ao homem, a segunda sim, realmente é peculiar ao ser humano partindo de uma análise não somente sociológica, mas também antropológica, porém, a primeira esta ligada à necessidade natural de sociabilidade não podendo ser equiparada como fonte de valor.

O homem, Indivíduo dotado de inteligência e linguagem articulada como bem dizia John Locke é uma “tabula rasa”, ou seja, na sua concepção natural não pode-se dizer que é dotado mesmo que inconscientemente de valores que afloraram com o penetrar social, pelo contrário, o social determina os valores que serão devidamente ponderados, apreciados, com o despertar da compreensão, ou seja, a tomada de personalidade de ser.

Assim, citando Émile Durkheim “essa aureola de santidade da qual esta hoje investida a pessoa humana é de origem social” o que traduz esta tomada de posição em contradizer que o homem é o valor-fonte. Indo mais além seguindo as teorias evolucionistas de Charles Robert Darwin, num campo meramente de suposições onde um bebê recém-nascido tivesse a oportunidade de crescer numa floresta sem contato com a sociedade e somente com animais, seria utópico dizer que desenvolveria linguagem por nós compreendida e muito menos uma concepção axiológica.

Pode-se dizer que a sociabilidade é algo inerente a todo ser humano, Haja vista que tal inerência se da pelo fato de o instinto de sobrevivência ser superior aos demais e consequentemente fazendo com que o social faça parte da essência do ser enquanto ser, assim como descrevia Jean Jacques Rousseau no que tange ao contrato social, onde indagava “porque o homem vive em sociedade e se priva de sua liberdade”, é justamente por este fato.

Em suma não podemos categorizar como correta a concepção de pessoa como valor-fonte e sim sociedade como valor-fonte.





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